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Índice de Qualidade de Água (IQA): saiba o que significa este índice

O uso de índices de qualidade da água surgiu através da necessidade de reunir informações a respeito dos diversos parâmetros físico-químicos, visando à informação e orientação da população com relação às ações de planejamento e gestão da qualidade da água.


Além de facilitar a comunicação com a população, leiga no assunto, os índices de qualidade da água (IQA) permitem a síntese de várias informações em um único número. Entretanto, no decorrer do processo da síntese dos dados ocorre a perda das informações sobre o comportamento dos parâmetros analisados. Deste modo, para qualquer avaliação mais detalhada, deve-se levar em consideração os parâmetros individuais que determinam a qualidade das águas.


Os principais índices de qualidade da água utilizados pelas Unidades Federativas são:


  • Índice de Qualidade das Águas (IQA);

  • Índice de Qualidade da Água Bruta para fins de Abastecimento Público (IAP);

  • Índice de Estado Trófico (IET);

  • Índice de Contaminação por Tóxicos;

  • Índice de Balneabilidade (IB);

  • Índice de Qualidade de Água para a Proteção da Vida Aquática (IVA).


No entanto, a seguir vamos explorar o principal índice que refere-se ao: Índice de Qualidade das Águas (IQA).



- Índice de Qualidade das Águas (IQA)


Este índice foi criado em 1970, nos Estados Unidos pela National Sanitation Foundantion e então, começou ser utilizado pela CETESB (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) e por outros órgãos ambientais e, hoje, é o principal índice de qualidade da água utilizado no país.


O IQA foi desenvolvimento para avaliar e monitorar a qualidade da água bruta, dirigindo seu uso para o abastecimento público, após tratamento. Em grande maioria, os parâmetros utilizados no cálculo do IQA são indicadores de contaminação provocados pelo lançamento de efluentes domésticos/sanitários.


O IQA é composto de 9 parâmetros, com seus respectivos pesos (w) que foram atribuídos em função da sua importância para a conformação global da qualidade da água, são eles:



- Oxigênio Dissolvido (OD) – w = 0,17


O OD é extremamente importante na preservação da vida aquática, já que grande maioria dos organismos (peixes, por exemplo) precisam de oxigênio para respirar. Quando a água é poluída por esgoto, a concentração de oxigênio dissolvido é muito baixa, uma vez que o OD é consumido no processo de decomposição da matéria orgânica.



- Coliformes Termotolerantes – w = 0,15


As bactérias do grupo coliformes termotolerantes estão presentes no trato intestinal de animais de sangue quente. Estas são indicadores de poluição por esgotos domésticos/sanitários. Elas não são patogênicas (não causam doenças), porém, a presença destas bactérias em grande quantidade indica a possibilidade de existência de microrganismos patogênicos, que são responsáveis pela transmissão de doenças de veiculação hídrica (exemplo: disenteria bacilar, febre cólera, entre outros).



- Potencial Hidrogeniônico (pH) – w = 0,12


O pH pode influenciar no metabolismo de diversas espécies aquáticas. A Resolução CONAMA 357 estabelece valores de pH entre 6 e 9 para a proteção da vida aquática. Alterações nos valores também podem desencadear o efeito de substâncias químicas que são tóxicas para os organismos aquáticos, como metais pesados, por exemplo.



- Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO5 20) – w = 0,10


A DBO representa a quantidade de oxigênio necessária para oxidar a matéria orgânica (MO) presente na água por meio da decomposição microbiana aeróbica. A DBO 5 20 é a quantidade de oxigênio consumido durante 5 dias a uma temperatura de 20°C. Altos valores de DBO são causados, principalmente, pelo lançamento de cargas orgânicas, em especial, esgoto doméstico. Em grande quantidade, a DBO pode provocar a mortandade de peixes e eliminação de outros organismos aquáticos.



- Temperatura da Água – w = 0,10


Diversos parâmetros são influenciados pela temperatura da água, como a tensão superficial e a viscosidade. Quando os limites de temperatura estão fora dos seus limites, os organismos aquáticos são afetados absorvendo impactos sobre seu crescimento e reprodução.


Apesar dos corpos d’água apresentarem variações de temperatura no decorrer do ano e das estações climáticas, o lançamento de efluente com altas temperaturas pode acarretar impactos significativos.



- Nitrogênio Total – w = 0,10


São quatro as formas que o nitrogênio pode ocorrer nos corpos d’água: nitrogênio orgânico, amoniacal, nitrito e nitrato. Destaca-se que os nitratos podem ser tóxicos aos seres humanos se encontrados em altas concentrações, podem causar doenças, como a síndrome do “bebê azul”.

Por se tratar de um composto nutriente nos processos biológicos, o lançamento de nitrogênio em elevadas concentrações, junto com outros nutrientes como o fósforo, provocam crescimento excessivo de algas, processo conhecido como eutrofização, o qual pode prejudicar o abastecimento público, a recreação e a preservação da vida aquática.

As principais fontes de lançamento de nitrogênio em corpos d’água são de esgotos sanitários e efluentes industriais. O escoamento da água das chuvas em solos que receberam fertilizantes em áreas agrícolas e drenagem de águas pluviais em áreas urbanas, também são fontes de nitrogênio. Além disso, ocorre fixação biológica de nitrogênio atmosférico através das algas e bactérias.



- Fósforo Total – w = 0,10


Assim como o nitrogênio, o fósforo é um nutriente importante para o processo biológico e, quando em excesso, pode causar eutrofização das águas. As principais fontes de fósforo são: esgoto doméstico, através da presença de detergentes superfosfatados e da própria matéria fecal; a drenagem pluvial de áreas agrícolas e urbanas; e efluentes industriais, principalmente a partir dos processos produtivos de fertilizantes, indústria alimentícia, laticínios, frigoríficos e abatedouros.



- Turbidez – w = 0,08


A turbidez vai indicar o grau de atenuação que um feixe de luz sofre ao atravessar a água. Esta atenuação ocorre por meio da absorção e espalhamento da luz causada pelos sólidos em suspensão (areia, argila, silte, algas, etc.).

Como principal fonte de turbidez, tem-se a erosão dos solos que, em épocas chuvosas arrastam quantidade significativa de sólidos para os corpos d’água. Atividades de mineração também são fontes de causam elevação da turbidez nas águas, bem como o lançamento de esgoto e efluentes industriais.


O aumento da turbidez influencia na utilização de maiores quantidades de produtos químicos nas estações de tratamento, aumento os custos de operação. Além disso, a turbidez pode afetar a preservação dos organismos aquáticos, o uso industrial e as atividades de recreação.



- Resíduo Total – w = 0,08


O resíduo total é toda matéria que permanece após a evaporação, secagem ou calcinação da amostra de água durante um determinado tempo e temperatura.


Quando esses resíduos se depositam nos leitos dos corpos d’água podem causar assoreamento, gerando problemas para navegação e aumentos riscos de enchentes. Além disso, podem causar danos à vida aquática, destruindo os organismos que vivem nos sedimentos e servem de alimentos para outros organismos.


Além de seu peso (w), cada parâmetro possui um valor de qualidade (q) obtido do respectivo gráfico de qualidade em função da sua concentração ou medida.


Figura 1. Curvas médias de variação dos parâmetros de qualidade das águas para o cálculo do IQA. (Fonte: ANA, 2004)

Ressalta-se portanto, que o cálculo do IQA é feito por meio do produto ponderado dos noves parâmetros e para isso, aplica-se a seguinte fórmula:


Figura 2. Fórmula de Cálculo do IQA

- Onde:


IQA = Índice de Qualidade das Águas (um número entre 0 e 100);

qi = qualidade do i-ésimo parâmetro (um número entre 0 e 100, obtido do respectivo gráfico de qualidade – Figura 1);

wi= peso correspondente ao i-ésimo parâmetro fixado em função da sua importância para a conformação global da qualidade. Um número entre o e 1, de forma que:


Figura 3. Fórmula de Cálculo do Peso Correspondente ao I-ésimo

Sendo n o número de parâmetros que entram no cálculo do IQA.


Por fim, os resultados dos valores do IQA são classificados em faixas, que variam entre os Estados Brasileiros, segundo a tabela abaixo.


Para cumprir com as exigências e normas legais de cada estado, é imprescindível conhecer e estar atento aos parâmetros e sempre estar monitorando e acompanhando os resultados, evitando assim autuações e multas dos órgãos ambientais. Também, sempre que houver geração de resíduos e efluentes, deve-se manter atenção redobrada em relação ao Sistema de Tratamento de Efluentes em Operação, atentando-se desde o formato de concepção deste, até o fluxo de operação mais adequado.


Busque sempre por empresas e profissionais que possuem experiência e estrutura adequada para lhe oferecer todo suporte e análise necessária.


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